Kratos e a saga God of War tornaram-se numa das estrelas mais brilhantes do firmamento Sony. A experiência cinemática, a acção sem quartel e os valores de produção altíssimos trabalharam em conjunto para oferecer aos jogadores experiências carregadas de tensão e emoção. Com dois jogos editados na PS2, o anúncio de uma incursão na consola portátil da companhia nipónica deixou todos em polvorosa. As questões eram mais dos que muitas. Até que ponto o brilhantismo gráfico se manteria? Em que medida a falta de um analógico e dois gatilhos influenciariam a jogabilidade? Bem, God of War: Chains of Olympus está finalmente aí e estas e mais perguntas foram respondidas.
Chains of Olympus é uma prequela dos dois títulos anteriores. Somos transportados para um período que antecede o primeiro God of War, uma era em que Kratos serve os deuses sem questionar. A partir de determinado ponto, as suas convicções serão postas à prova, tendo de fazer uma escolha que nenhum pai deveria ter de fazer. A estória é simples, não elaborando muito o universo de God of War, mas serve o seu propósito: dar um pano de fundo a toda a acção que se desenrola no ecrã da PSP.
Quem já tiver jogado God of War ou God of War II, sabe bem o que esperar de Chains of Olympus. A fórmula original está intocada nesta versão, pelo que teremos de controlar Kratos em acesos combates contra uma imensidão de monstros mitológicos, explorar os diversos cenários e resolver alguns puzzles ambientais de pequena importância. O sistema de combate retém muita da espectacularidade que lhe conhecemos. Kratos continua a confiar nas Blades of Chaos como principal arma de ataque e quase todos os golpes dos primeiros jogos encontraram o seu caminho até Chains of Olympus. A sua realização é simples, recorrendo a combinação simplistas dos gatilhos e dos botões da PSP. Com o tempo, Kratos recolherá uma série de artefactos que aumentam em muito o conjunto de golpes disponíveis. A cabeça de uma medusa permite congelar inimigos, o escudo deixa-nos deflectir ataques energéticos e por aí fora. A única novidade é mesmo o Gauntlet of Zeus, uma manopla que nos permite executar golpes corpo a corpo devastadores. Os Quick Time Events também estão de volta e brindam-nos com sequências impossíveis de acção e violência – e sexo, mas isso é outra história. Aqui, a pouca sensibilidade do analógico da PSP entra em jogo e pode prejudicar manobras mais cruciais. Mesmo assim, acaba por não se revelar demasiado frustrante, e algumas tentativas certamente granjearão resultados.
Se há alguma crítica a fazer ao sistema de combate é a similaridade com o que já vimos nos meandros da série. Já vimos muitos dos inimigos e combinações brutais, o que rouba um pouco aquele prazer de ver algo totalmente novo. Por outro lado, o facto de só podermos escolher entre as Blades of Chaos e a Gauntlet of Zeus como armas, reduz bastante o rol de ataques disponíveis. Como verão mais adiante, esta dieta de emagrecimento é uma constante durante todo o jogo.
Os puzzles presentes não fazem justiça ao que vimos em God of War II. Se no título para PS2 estes eram um elemento fulcral da jogabilidade, aqui são relegados para segundo plano, raramente requerendo mais do que virar esta ou aquela manivela e sempre sem obrigar o jogador a puxar demasiado pela cabeça. Assim, o combate em si torna-se no principal factor de jogabilidade. Intenso e sem pausas, peca pela constante repetição de inimigos e pelo número extremamente reduzido de bosses, o que poderá ser uma séria desilusão para muitos, já que estes eram os pontos altos dos jogos anteriores. A introdução do jogo, como o jogador a lutar frente a frente com um gigantesco Basilisco, deixa antever uma escala enorme que acaba por não se concretizar. Na grande maioria das situações as áreas de combate são pequenas e não há muito a acontecer no cenário. Já vimos melhor na franchise, mas continua a ser uma das experiências mais arrebatadoras presentes na portátil.
Dito isto, há que dar os parabéns à Ready at Dawn pelo trabalho realizado no campo gráfico. Chains of Olympus é, sem sombra de dúvidas o título graficamente mais pujante da PSP. Animações de luxo, ambientes bem conseguidos e uma fluidez imaculada que acompanha a velocidade da acção, deixarão qualquer um de queixos caídos. A produção sonora não lhe fica atrás. Uma banda sonora de sonho acompanha todo o jogo e o trabalho de vozes – com especial ênfase para o de T.C. Carson, que mais uma vez dá voz a Kratos – é fantástico. O valor de produção é imenso e isso transparece em todo o lustro que podemos ver no ecrã.
God of War: Chains of Olympus é um daqueles jogos que conseguem responder às expectativas dos fãs. Traz consigo tudo aquilo que deu fama à série em medida certa, mas falha redondamente no campo da inovação. Puzzles simplificados, uma parca selecção de armamento e pouquíssimas novidades deixam-nos com a noção de que a Ready at Dawn poderia ter feito mais. Mesmo assim, e comparando com a competição, Chains of Olympus é um dos jogos obrigatórios para a PSP. Da forma simples e brutal a que a chancela God of War já nos habituou, entrega uma experiência de jogo que não deixará os inúmeros fãs desiludidos.
